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21 de outubro de 2016

Palatinose, carboidrato de baixo índice glicêmico, utilizado na nutrição clínica e esportiva

Por Nutricionista Hugo Comparotto, Consultor científico e Nutricionista do #TeamInnovation

 


 Há um crescente interesse nas características glicêmicas dos alimentos e suas contribuições na nutrição clínica e esportiva. Estudos vêm mostrando que dietas à base de alimentos com baixo índice glicêmico auxiliam na redução de dislipidemias, peso e gordura corporal, além de promoverem uma sensação de saciedade mais prolongada e um melhor desempenho físico e mental.


Atualmente vem se estudando a isomaltulose, conhecida como palatinose, fabricada a partir da beterraba e também encontrada em mel e cana-de-açúcar. Mesmo tendo aparência e poder adoçante 4 a 5x maior que o açúcar de mesa(sacarose), possui baixíssimo índice glicêmico(32), o que a faz diferente e especial, quando comparada a outros carboidratos, como maltodextrina, que possui índice glicêmico de 105 e a dextrose, 111 (Vide figura – comparando o açúcar de mesa e a palatinose). Por essa razão a palatinose pode ser utilizada em condutas nutricionais que visam controle rígido da glicemia e na produção de insulina, como colesterol e triglicérides altos, pacientes com resistência insulínica, diabetes tipo 2, além de ser uma ótima ferramenta para pacientes diabéticos tipo 1. Pela característica de não elevar rapidamente, e manter a glicemia estável por um tempo maior, favorece um melhor controle glicêmico, essencial para a qualidade de vida desses pacientes.


A palatinose pode entrar como substituto do açúcar refinado, já que possui poder adoçante maior que este, controlando desta maneira o consumo de carboidrato, auxiliando no tratamento da obesidade e mudança de hábitos e contribuindo com a educação alimentar. Nesse sentido, podemos utilizá-la com as crianças e, pelo fato da palatinose sofrer menor fermentação oral quando comparada a outros açúcares, é uma ferramenta no controle das cáries.


Espera-se que os fabricantes de alimentos modifiquem os carboidratos simples em suas preparações por carboidratos mais complexos e de lenta absorção, reduzindo assim o impacto glicêmico dos alimentos industrializados e entregando à população alimentos mais saudáveis e completos.


Além de toda essa aplicação clínica, podemos utilizar a palatinose em shakes pré treinos, pós treinos ou substituindo o carboidrato de uma refeição quando houver esta necessidade, já que estamos falando de um carboidrato em pó e de fácil transporte, para pacientes que almejam um bom equilíbrio metabólico e que favoreça a perda de gordura e manutenção/ganho de massa muscular, pelo fato de não promover picos de glicemia e excessiva produção de insulina, permitindo que o organismo utilize gordura com mais eficiência.


Nesse sentido, de perda de gordura e ganho de massa muscular, o que geralmente observo são pessoas reduzindo rapidamente e em grande escala a quantidade do carboidrato na dieta, sem ao menos antes melhorar a distribuição ao longo do dia e de acordo com a necessidade do treino em intensidade e volume, e principalmente sem melhorar a qualidade, ou seja, fazer trocas de carbos simples para carbos com baixo índice glicêmico. Além disso, esses muitas vezes referem estar em dieta para ganho de massa muscular, o que seria muito difícil sem a presença desse macronutriente, pelo fato dele ser essencial para conseguirmos responder à alta intensidade nos treinos e importante no processo hipertrófico e adaptativo.


Quando estamos falando desse processo complexo, de perda de gordura e manutenção/ganho de massa muscular, precisamos acertar no BÁSICO, ao invés de restringir algum macronutriente. Precisamos melhorar as suas qualidades e distribuição, além de favorecer um organismo que esteja apto a absorvê-los, ou seja, que receba também micronutrientes (vitaminas e minerais), além de fibras e lactobacilos, para depois tentar estratégias mais inovadoras. Claro que tudo dependerá da individualidade metabólica, rotina de dieta e principalmente periodização do treino, com relação à intensidade e principalmente tempo de duração. Portanto, ao invés de reduzir ao máximo o consumo do carboidrato, primeiramente o ideal será melhorar a qualidade e quantidade ao longo do dia, a fim de evitar que o organismo entre em homeostase rapidamente e estresse metabólico, resultando em músculos “murchos” e falta de energia ao longo do dia e no treino, além de aumentar os riscos de lesões ou overtraning.


 


Referências:



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  • Benton D & Nabb S. Carbohydrate, memory, and mood. Nutr Ver. 2003

  • Siu PM & Wong SH. Use of the glycemic index: effects on feeding patterns and exercise performance. J Physiol Anthropol Appl Human Sci. 2004

  • Burke LM, Kiens B, Ivy JL. Carbohydrates and fat for training and recovery. Journal of Sports Sciences. 2004

  • Atkinson FS, Foster-Powell K & Brand-Miller JC. International tables of glycemic index and glycemic load values: 2008. Diabetes Care 2008

  • Livesey G, Taylor R, Hulshof T, et al. Glycemic response and health – a systematic review and meta-analysis: relations between dietary glycemic properties and health outcomes. Am J Clin Nutr 87, 2008

  • Holub, I. et al. Novel findings on the metabolic effects of the low glycaemic carbohydrate isomaltulose (Palatinose). British Journal of Nutrition,2010

  • Burke LM, Hawley JA, Wong SH, Jeukendrup AE. Carbohydrates for training and competition. Journal of Sports Sciences.2011

  • König D, et al., Postprandial substrate use in overweight subjects with the metabolic syndrome after isomaltulose

  • (Palatinose) ingestion. Nutrition Journal, 2012

  • Philp A, Hargreaves M, Baar K. More than a store: regulatory roles for glycogen in skeletal muscle adaptation to exercise. American Journal of Physiology, Endocrinology and Metabolism.2012

  • Cermak NM , LJ van Loon. O uso de carboidratos durante o exercício como um auxílio ergogênico. Sports Med, 2013

  • Bartlett JD, Hawley JA, Morton JP. Carbohydrate availability and exercise training adaptation: Too much of a good thing? Eur J Sport Sci. 2014

  • Nutrition and athletic performance. Joint position statement. American College of Sports Medicine, Academy of Nutrition and Dietetics, and Dietitians of Canada. 2016


 


Por


Hugo Comparotto


Nutricionista


www.nutricionistahugo.com.br


Consultor Científico Atlhetica Nutrition


www.atlheticanutrition.com.br


 


 


 


 


 



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