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13 de outubro de 2016

Estilo de vida e seu papel no câncer de mama

Por Médico Dr. Felipe Pereira, Médico, com Residência em Medicina do Exercício e do Esporte pela UNIFESP (2013-Atual). Atua na Clínica P4B Health em São Paulo, prestando atendimento a um público que vai de esportistas e atletas, a portadores de patologias clínicas, val

          O Outubro Rosa é um movimento de conscientização que começou a surgir em 1990 na Corrida pela Cura (realizada em Nova York), e tem como grande objetivo alertar a sociedade como um todo, especialmente o público feminino, sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo mais comum de câncer no Brasil, chegando a quase 60 mil casos em 2015.


          Quando falamos em diagnóstico precoce do câncer de mama, é sempre importante reforçar sobre a necessidade da realização do auto-exame, além do acompanhamento médico de rotina para exame mais detalhado, técnico e investigação por imagem (usualmente mamografia). Dessa forma, consegue-se um prognóstico muito mais favorável de tratamento quando a patologia já está instalada, com menores chances de quadro avançado, sendo assim com necessidade de abordagens menos agressivas ao organismo, redução dos riscos de recidiva posterior e chances de cura em até 90%.


          No entanto, devemos enfatizar a questão da prevenção que é tão evidenciada no Outubro Rosa, e dentro deste contexto o estilo de vida entra como o fator principal, até mesmo para “silenciar” genes de uma paciente que, porventura, tenha um risco aumentado por fatores genéticos ou hereditários (alteração nos genes BRCA1 e BRCA2, história familiar de câncer no ovário ou mama). Neste momento, exercícios físicos regulares e bom padrão alimentar entram como destaque principal, podendo reduzir em até 30% o risco de aparecimento da doença.


          Ao combater o sobrepeso e a obesidade, alimentação e exercício físico atingem um dos grandes fatores de risco da doença, e nos quadros já instalados, o exercício ameniza os efeitos colaterais do tratamento, permitindo uma melhor qualidade de vida durante o período. De um modo geral, uma alimentação rica em antioxidantes como verduras, legumes e frutas (orgânicos) e pobre em alimentos com maior potencial inflamatório, como carboidratos refinados, determinados tipos de gordura, bebida alcoólica, embutidos e demais alimentos ultraprocessados estão entre as recomendações mais usuais. Apesar da literatura se apresentar um pouco conflitante no assunto, a limitação no consumo de leite e derivados é recomendada por alguns estudiosos do assunto, como da Universidade de Harvard, assim como a carne vermelha (mais ligada ao câncer de intestino). Vale ressaltar também a deficiência de alguns micronutrientes como a vitamina D, algo fundamental de ser corrigido, além de um desbalanço da microbiota intestinal que “alimenta” a doença, sendo fundamental este equilíbrio.


          O papel do exercício físico (em geral combinação de aeróbico e resistido) na prevenção do quadro se dá pelo grande potencial indutor antioxidante e antiinflamatório que o mesmo exerce, combatendo assim a formação de um terreno adequado para o surgimento da doença, que tem como base estes dois processos, e evitando a tendência de predominância catabólica nestes indivíduos. Nos quadros já instalados, foi inclusive publicada recentemente uma revisão sistemática da literatura, comprovando os benefícios da prática de exercício físico durante o tratamento adjuvante para câncer de mama, ao melhorar o condicionamento físico, função cognitiva e a fadiga comum destes pacientes.


          Previna-se, pratique estilo de vida!


 


 


Por


Felipe Pereira


Médico - CRM-SP 171172


Consultor Científico Atlhetica Nutrition


 


 


 



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